Arte X Moda I Museum of Fashion Institute of Technology

No Museum of Fashion Institute of Technology (MFIT), Nova Iorque

A Exposição no Museum of Fashion Institute of Technology (MFIT) destaca a Interseção entre o mundo da Moda e das Belas-Artes.

“Arte X Moda” apresenta 140 peças, incluindo vestuário, acessórios, têxteis, fotografias e obras de arte originais do final do Século XVIII até os dias actuais.

provenientes da colecção permanente do MFIT.

Arte X Moda desafia as hierarquias tradicionais da cultura visual, apresentando moda e arte, como expressões paralelas e poderosas de forças sociais, intelectuais e criativas. Com curadoria de Elizabeth Way, curadora do vestuário e acessórios do MFIT, a exposição está patente até 19 de Abril de 2026 e reflecte a missão do museu de promover a compreensão e valorização do papel fundamental da moda na cultura.

O cerne da exposição reside no seu profundo acordo com a eterna questão: “A moda é arte?” A mostra destaca as formas pelas quais a moda sempre foi uma parceira — e não uma seguidora — das belas-artes, destacando integrações frequentemente negligenciadas ao longo da história. Isso inclui exemplos de como as duas disciplinas trabalharam juntas para criar estilos europeus. Do esplendor do Rococó e do Neoclassicismo ao mundo inquietante do Surrealismo, ao choque da Pop Art e do pós-modernismo.

Entre as respostas a essa célebre questão está a do historiador de arte e moda Christopher Richards (Brooklyn College), que sugere que, se a moda apresenta formas inovadoras, artesanato primoroso e impacto cultural, então ela é arte. Os pilares do seu argumento são ilustrados por peças de Martin Margiela, Rei Kawakubo e Iris van Herpen, demonstrando inovação, e por Charles Frederick Worth, Paul Poiret e Elsa Schiaparelli, evidenciando o primor artesanal. O impacto cultural da moda é observado por meio do poder e do legado do New Look de Christian Dior e dos exemplos do punk dos anos 1970.

A exposição também destaca como a moda é utilizada como uma ferramenta expressiva por artistas como Salvador Dalí, Pablo Picasso e Sonia Delaunay, ao lado de designers como Scott Barrie e Hussein Chalayan, que fundamentam os seus conceitos profundamente em sua formação artística, enquanto Fabrice Simon e Ralph Rucci são tanto pintores quanto designers. Figuras contemporâneas como Cat Chow, Mary Ping e Tavares Strachan exemplificam a fluida e moderna fronteira que demonstra como esses universos podem se fundir.

Os artistas também utilizaram a moda como instrumento de identidade artística, o que é demonstrado na exposição por meio de análises de figuras como o artista-flâneur do século XIX, que passeava pelas ruas de Paris e é um personagem essencial do mundo cultural moderno euro-americano. Esse personagem foi incorporado por artistas como Édouard Manet, Edgar Degas, Pierre-Auguste Renoir e Gustave Caillebotte, que reconheceram o poder da moda tanto para se misturar e observar quanto para expressar a modernidade nas suas telas. Ao vestir modelos com quimonos, jaquetas chinesas ao (blazers) e trajes inspirados na Grécia Antiga e na Idade Média — rompendo com os estilos populares do século XIX — esses artistas definiram o vestuário artístico e boémio e causaram um impacto duradouro nos estilos que passaram a ser considerados “artísticos” no século XX.

Arte X Moda salienta de forma equilibrada as formas pelas quais a moda foi inspirada pelas belas-artes. Por meio de exemplos de estilistas como Gianni Versace e Franco Moschino, a exposição destaca as formas como a moda utilizou homenagens aos clássicos da Pop Art como meio de comentar a cultura do consumo e das celebridades. Essas reproduções de obras de arte célebres nas roupas e acessórios democratizaram essas obras-primas inestimáveis para um público de massa, conferindo valor, reconhecimento e até humor às peças de moda, além de agregar capital cultural às próprias obras. Em alguns casos, como no trabalho de Grace Wales Bonner, a aplicação das belas-artes à moda amplia a mensagem do artista original.

A exposição também considera como os designers de moda interpretam a estética e os temas das belas-artes nos seus próprios processos criativos, resultando em criações que transcendem a sua inspiração e produzem novas ideias. Por exemplo, Yves Saint Laurent recriou de forma célebre os blocos de cor de Piet Mondrian, mas o costureiro aplicou magistralmente o motivo plano ao corpo tridimensional. O exuberante trabalho com miçangas de Eric Gaskins cria um impressionante efeito trompe-l’oeil em homenagem às pinceladas de Franz Kline, e Christian Francis Roth encaixa intrincadamente peças de padrões abstractos e cores vibrantes, evocando a paleta fauvista e a energia de Henri Matisse. Essas peças ilustram o Designer como um artista paralelo que se envolve profundamente com o material de origem das artes e o reinterpreta por meio da sua própria habilidade e criatividade.

Arte X Moda culmina ao traçar a longa história de colaborações entre artistas e designers de moda. Entre os exemplos está a Louis Vuitton, talvez mais conhecida por envolver artistas como Takashi Murakami e Yayoi Kusama na criação de designs que fazem a ponte entre a moda de luxo e a arte contemporânea. Outra abordagem é a de Isabel e Ruben Toledo, que transformaram a relação entre arte e moda num romance e estilo de vida que durou décadas, colaborando regularmente na arte, moda, figurino e muito mais.

Outros exemplos de parcerias entre designers e artistas que produziram resultados evocativos incluem a investigação de Vivienne Tam e Zhang Hongtu sobre a iconografia de Mao Tsé-Tung e a parceria de Thebe Magugu com Phathu Nembilwi, que celebra as mulheres e a cultura sul-africanas.

A exposição demonstra a integração contínua entre moda e arte. Repetidas vezes, vimos o design de moda funcionar como uma articulação visual reflectida de ideias sociais e da criatividade individual, partindo da mesma base das artes. Como uma entidade criativa, cultural e económica em crescimento, a moda tem atraído cada vez mais a atenção do mundo das artes plásticas — uma relação que continuará a evoluir e que torna a eterna pergunta “A moda é arte?” ainda mais relevante neste momento.

“Esta exposição suscitará opiniões fortes e estimulará um diálogo animado, mas, quer se decida que moda é arte ou não, a relação forte e mútua da moda com as artes é inegável”, disse Way.

Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

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