A Moda do Século XVIII I Uma Herança Fantasiada

No Palais Galliera, em Paris

O Palais Galliera apresenta a exposição “A Moda do Século XVIII – Uma Herança Fantasiada”, de 14 de Março a 12 de Julho, que destaca as características da moda feminina no Século das Luzes e suas numerosas reinterpretações ao longo da história da moda até os dias de hoje.

Frequentemente percebido como um século distante, até mesmo antiquado, o século XVIII constitui, no entanto, uma etapa fundamental na evolução das aparências femininas, que continuam a influenciar até hoje o mundo da moda e a cultura popular.

Marcado por uma efervescência criativa sem precedentes, o século XVIII distingue-se pela diversidade das silhuetas, pela riqueza dos tecidos e pela exuberância dos adornos e dos penteados. Ele também assinala o fim de um modelo de vestuário feminino herdado dos séculos anteriores, abrindo caminho para uma nova concepção do corpo e da aparência.

Desde o Segundo Império, a moda feminina inspira-se amplamente na estética do século das Luzes, que se torna uma importante fonte de inspiração. Em um contexto de transformações políticas e sociais, o século XVIII surge como um mundo de elegância e um paraíso perdido que despertam uma forte nostalgia.

Após a Segunda Guerra Mundial, a alta-costura francesa, em busca de legitimação para se impor no mercado internacional, volta-se novamente para os saberes e técnicas do luxo desenvolvidos no século XVIII. A difusão massiva de imagens pela imprensa, pelo cinema e pelas artes do entretenimento transforma esse legado num código visual imediatamente identificável pela cultura popular.

Progressivamente, a moda do século XVIII deixa de ser apenas uma referência histórica e passa a tornar-se uma estética por direito próprio. A exposição propõe, assim, uma reflexão sobre a forma como a moda e a memória colectiva moldam, transformam e projectam esse passado, convertendo-o num relato estético, cultural e simbólico ainda vivo. Constantemente reinventado e idealizado, o século XVIII entra em ressonância com as aspirações de cada época. Hoje, essa estética dialoga com os universos kitsch, camp e queer.

Rica em mais de setenta silhuetas, acompanhadas de acessórios de moda, têxteis, artes gráficas e fotografias, a exposição destaca obras-primas como o espartilho da rainha Marie-Antoinette, apresentado excepcionalmente ao público devido à sua grande fragilidade.

O percurso coloca em diálogo silhuetas do século XVIII com as dos séculos seguintes, incluindo criações icónicas contemporâneas das colecções da Chanel, Christian Dior, Louis Vuitton, Christian Lacroix, Vivienne Westwood e Dries van Noten.

Ao longo de três séculos de criação, o Palais Galliera revela até que ponto a moda do século XVIII foi reinterpretada, entre herança histórica, fantasias estéticas e liberdade criativa.

Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

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