No Metropolitan Museum of Art, New York
O Metropolitan Museum of Art apresenta de 2 de Março a 26 de Julho de 2026 as experiências inovadoras da fotógrafa de moda Lillian Bassman.
Com base numa nova e transformadora doação proveniente do espólio da artista, a mostra acompanha a sua visão original para a fotografia, tanto dentro como fora das páginas de revista.
O museu de Nova Iorque destaca as obras ousadas da fotógrafa de moda e directora de arte Lillian Bassman (Americana, 1917–2012). A sua arte foi uma visão provocadora para a revista americana Bazaar dos meados do século XX. Nesta exposição, com mais de 60 obras, encontram-se designs de layout inovadores, trabalhos editoriais e experiências de câmara escura com as quais Bassman ampliou as possibilidades da fotografia impressa.
“A mostra salienta uma fotógrafa extraordinária e uma directora de arte pioneira a transformar páginas de revistas num projecto artístico de excelência, marcado pela experimentação e pelo impacto”, afirmou Max Hollein, director e CEO do Metropolitan Museum of Art. “Temos orgulho em continuar a celebrar a fotografia de moda extraordinária como um catalisador de profunda inovação e expressão.”
Esta colecção de imagens representa uma generosa nova doação de 70 obras do espólio da artista e evidência a influência e a ousadia da carreira da revista de Bassman entre as décadas de 1940 e 1960. Alternando entre a New School em Manhattan e o “New Look” em Paris, acompanha o seu percurso ainda de iniciadora do design a directora de arte e fotógrafa consagrada. Ao lado de empréstimos importantes — incluindo publicações de época raras e um cartaz recentemente redescoberto —, as impressões vintage, colagens e maquetes da exposição revelam uma história inesperada do modernismo, reformulada para as páginas da imprensa popular. A instalação convida os visitantes a seguir os projectos de Bassman desde o estúdio até à página da revista, traçando as suas múltiplas transformações na impressão. Juntamente com estas obras finalizadas, experiências inéditas revelam as suas descobertas na câmara escura, onde aperfeiçoou novas e radicais técnicas de impressão. A exposição acompanha ainda o regresso de Bassman ao seu arquivo na década de 1990, quando — décadas após abandonar o meio — recuperou os seus negativos iniciais e voltou a imprimi-los num estilo cada vez mais abstracto. Estas obras tardias ecoaram junto de uma nova clientela da moda, cuja sensibilidade foi moldada, em parte, pelo trabalho transgressor de Bassman meio do século XX.
Numa época anterior, a abordagem de Bassman poderia ter impedido o sucesso comercial. No entanto, o seu timing revelou-se afortunado. Aos 24 anos, quase por acaso, aceitou um emprego na Harper’s Bazaar, onde um grupo de artistas e editores estava então a reinventar a aparência de uma revista. Em conjunto, introduziram uma sensibilidade de vanguarda nas bancas americanas.
No mundo elegante das publicações femininas, Bassman era uma insurgente. Nascida em 1917, foi criada por um círculo boémio de emigrantes russos no Bronx. Ainda adolescente, na década de 1930, mergulhou no ambiente criativo do centro de Nova Iorque, trabalhando como modelo nu para a Art Students League e mais tarde colaborando em murais para a Works Progress Administration. Em 1940, cruzou-se com Alexey Brodovitch, o influente director de arte da Harper’s Bazaar, cujos cursos de design na New School for Social Research introduziam então o modernismo a uma nova geração. Impressionado com o seu portefólio, Brodovitch convidou Bassman para o seu seminário, e as oportunidades na Bazaar surgiram em seguida. Ao conceberem a revista em conjunto, Brodovitch transmitiu-lhe a sensibilidade dos surrealistas, as melhores práticas da Bauhaus e o rigor do construtivismo. Ao lado das editoras Carmel Snow e Diana Vreeland, imaginaram um novo visual para a revista — caracterizado por tipografia ousada, margens amplas e fotografias vibrantes distribuídas em dinâmicas páginas duplas.
Bassman levou esta lógica a extremos inventivos na Junior Bazaar, uma publicação derivada destinada a adolescentes. Como directora de arte entre 1945 e 1948 — inicialmente partilhando crédito com Brodovitch — adaptou motivos modernistas às preocupações juvenis, representando a moda universitária e os rituais sociais com geometria precisa e montagem enérgica. As suas páginas luminosas revelavam novos talentos, oferecendo aos fotógrafos como Richard Avedon algumas das suas primeiras oportunidades. Apenas quando dificuldades financeiras começaram a limitar esta abordagem é que Bassman começou a imaginar seriamente uma prática fotográfica própria.
Quando Bassman pegou na máquina fotográfica— incentivada pelo marido e colaborador, o fotógrafo Paul Himmel — criou uma nova abordagem ao glamour moderno. As suas representações do estilo dos meados do século reduziam vestidos e silhuetas aos seus elementos essenciais; nas suas fotografias, gestos espontâneos e linhas elegantes transmitiam a sensação das peças, enquanto os detalhes se dissolviam numa atmosfera difusa. Aquilo que Bassman não mostrava, evocava nas suas impressões expressivas — resultado de manipulações na câmara escura, realizadas com lenços, pincéis e lixívia. Com estes métodos, aproximou a fotografia de moda da abstração, seguindo um caminho cada vez mais expressionista nos anos seguintes.
A exposição: “Lillian Bassman: Bazaar e Além” representa, de certo modo, um regresso a casa para Bassman, que passou grande parte do seu tempo livre a explorar o Metropolitn Museum of Art. Quando iniciou a sua carreira na fotografia de moda, não tinha formação formal em casas de moda ou alta-costura; em vez disso, encontrou toda uma história do vestuário nas galerias do museu. Recordando visitas frequentes com o marido, afirmou mais tarde: “Estávamos apenas interessados em obter a nossa educação noMuseu de Nova Iorque. Foi lá que mergulhei na moda.” Décadas depois, esta exposição coloca o seu trabalho novamente em diálogo com as colecções que inicialmente a inspiraram.
Theresa Bêco de Lobo

