Renoir e o Amor I A Modernidade Feliz (1865-1885)

A Modernidade Feliz (1865-1885), exposição que homenageia os 40 Anos (1986 – 2026) do Musée d’Orsay, em Paris.

A exposição” Renoir e o Amor -A Modernidade Feliz (1865–1885)”, inaugurada no dia 17 de Março no Musée d’Orsay, em Paris é, sem dúvida, o grande acontecimento cultural da Primavera, já que a mostra se mantém até 19 de Julho de 2026 neste museu, continuando a sua tournée na National Gallery,em Londres de 3 de Outubro de 2026 a 31 de Janeiro de 2027  finalizando a sua apresentação em 20 de Fevereiro a 13 Junho de 2027, no Museum of Fine Arts Boston.

Por ocasião do seu 40.º aniversário, o Musée d’Orsay celebra o artista notável das suas colecções, talvez o mais popular dos impressionistas: Auguste Renoir.

O Museu de Paris dedica esta exposição às duas primeiras décadas da obra de Pierre-Auguste Renoir, oferecendo uma reinterpretação do seu trabalho à luz do tema do amor como chave para compreender a modernidade.

A exposição “Renoir e o Amor. Modernidade Feliz (1865-1885)”, tem curadoria de Paul Perrin, curador-chefe e director de conservação e das colecções do museu, em colaboração com Lucie Lachenal-Tabellet, responsável pela investigação documental no Musée d’Orsay.

O evento centra-se nas duas décadas entre 1865 e 1885, período de plena afirmação do artista, propondo um novo olhar sobre a sua obra.

Pierre-Auguste Renoir, com as suas pinturas luminosas e festivas, célebres pelas cenas de cafés ao ar livre e danças populares, ganhou o apelido de “pintor da felicidade”. Uma definição que, embora tenha consagrado a sua fama, por vezes contribuiu para a sua marginalização no debate sobre a pintura moderna, frequentemente associada a tons joviais. O próprio Renoir observou como era difícil fazer com que as pessoas aceitassem a ideia de que uma pintura poderia ser simultaneamente alegre e grandiosa. Ainda assim, a sua obra oferece uma reflexão original sobre a modernidade, entendida através do prisma do amor: uma força que rege as relações humanas e um sentimento que orienta o olhar do artista para os seus modelos e para o mundo.

Pela primeira vez, reúne-se um núcleo significativo das chamadas Cenas da Vida Moderna, grandes composições com figuras inseridas em contextos contemporâneos, realizadas nas duas primeiras décadas da sua carreira. A peça central da exposição é a célebre “Baile no Moinho de la Galette” (1876), uma obra-prima da colecção do museu que celebra o seu 150.º aniversário.

Nesses anos, Renoir participou do nascimento de uma nova pintura ao lado de Édouard Manet, Claude Monet, Berthe Morisot, Edgar Degas e Gustave Caillebotte. No entanto, ele distinguiu-se por uma empatia especial e uma constante admiração pelos temas representados, escolhendo cenas felizes e valorizando sempre os protagonistas das suas telas. Esse olhar “amoroso” traduz-se numa pintura atenta às ligações: conversas, refeições partilhadas, danças e momentos de convívio são unidos por uma luz envolvente, harmonias de cores equilibradas e pinceladas fluidas que fundem figuras e ambiente numa atmosfera vibrante.

A exposição também procura aprofundar a frequente representação de jovens casais, desconstruindo o cliché de uma pintura puramente sentimental. De facto, Renoir evita excessos emocionais, narrativas românticas explícitas ou cenas sensuais, preferindo um tom alusivo e delicado. Admirador dos mestres franceses do século XVIII, como Antoine Watteau, François Boucher e Jean-Honoré Fragonard, recuperou o espírito das “fêtes galantes”, propondo uma visão de liberdade afectiva e maior equilíbrio de género em Paris entre o final do Segundo Império e o início da Terceira República.

A mostra foi organizada em colaboração com a National Gallery de Londres e o Museum of Fine Arts de Boston, a exposição pretende oferecer um olhar renovado sobre obras célebres cuja dimensão inovadora corre hoje o risco de ser tomada como garantida. Pela primeira vez desde 1985, ano da última grande retrospectiva parisiense dedicada ao artista, cerca de cinquenta pinturas da fase inicial da sua carreira são reunidas, incluindo obras-primas como “La Grenouillère” (1869), do Nationalmuseum de Estocolmo, “Os Guarda-chuvas” (1881-1885), da National Gallery de Londres, “O Passeio” (1870), do J. Paul Getty Museum em Los Angeles, “A Dança em Bougival”, (1883), do Museum of Fine Arts de Boston, e O Pequeno Almoço dos Remadores (1880-1881), excepcionalmente emprestada pela Phillips Collection em Washington.

As pinturas coloridas e alegres de Auguste Renoir, com a sua iconografia dos cafés ao ar livre e dos bailes públicos, fizeram dele um “pintor da felicidade”. Essa reputação, por vezes, levou a que fosse marginalizado entre os grandes pintores da modernidade, sob o argumento de que esta só poderia ser melancólica ou irónica, desencantada ou desiludida. “Sei bem que é difícil fazer aceitar que uma pintura possa ser grande pintura permanecendo alegre”, dizia Renoir.

Esta exposição é uma oportunidade única para admirar Renoir à luz de uma modernidade feliz, na qual o amor se torna um princípio estético e uma visão do mundo.

Durante este período, ele participou na invenção colectiva de uma «Nova Pintura», ao lado de Manet, Monet, Morisot, Degas ou Caillebotte. No entanto, distingue-se pelo seu sentido singular de empatia e pela sua capacidade de encantamento, escolhendo apenas temas felizes e valorizando sempre os seus modelos. Este olhar «amoroso» manifesta-se por um gosto… …uma marcada inclinação para os laços — tanto nos seus temas (conversas, refeições, dança…) quanto na sua maneira de pintar, atenta a tudo o que pode contribuir para um sentimento de unidade (gestos das personagens, luz envolvente, equilíbrio das cores, pinceladas fluidas e esboçadas que fundem os objetos uns nos outros).

A exposição também destaca a predileção de Renoir pela representação do jovem casal, ao mesmo tempo que procura desconstruir a ideia comum de que a sua pintura seria “sentimental”. Admirador dos pintores franceses do século XVIII (Watteau, Boucher, Fragonard), Renoir faz renascer uma atmosfera de festas galantes e promove uma forma de liberdade de costumes e de igualdade entre os sexos. Nesse quadro, os grandes formatos de Renoir dedicados ao casal feliz, à “camaradagem” (segundo a expressão do seu amigo Rivière) e à convivialidade aparecem como verdadeiros manifestos contra a violência das relações entre os sexos, os antagonismos de classe e a crescente solidão da vida urbana.

A sua obra propõe, no entanto, uma reflexão original sobre a modernidade, colocada sob o signo do amor, entendido ao mesmo tempo como força que rege as relações humanas e como sentimento que orienta o olhar do artista sobre os seus modelos, sobre o mundo e sobre a própria pintura.

Esta exposição reúne pela primeira vez quadros enormes das «cenas da vida moderna» — quadros com várias figuras representando temas contemporâneos (distintos dos retratos e das paisagens) — realizados por Renoir ao longo dos primeiros vinte anos da sua carreira (1865–1885).

Renoir obteve uma forte nitidez de imagens, um colorido preciso e intenso e uma composição bem estruturada. Por este processo, Renoir foi um criador de imagens, mais do que o reprodutor de elementos da natureza.

Esta série de pinturas  luminosas e festivas, célebres pelas cenas de cafés ao ar livre e danças populares, fizeram com que Renoir ganhasse  o apelido de “pintor da felicidade.”

Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

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