Marcel Duchamp I Grande retrospectiva no MoMA

O MoMA destaca Marcel Duchamp, como a primeira grande retrospectiva norte-americana dedicada à obra do artista em mais de 50 anos.

O MoMA-Museum of Modern Art de Nova Iorque, apresenta uma grande retrospetiva de Marcel Duchamp, até 22 de Agosto de 2026. A exposição exibe quase 300 obras de várias áreas artísticas, abrangendo as seis décadas de carreira de Duchamp.

A última grande retrospetiva da obra de Marcel Duchamp (americano, nascido em França, 1887–1968) foi a mostra de 1973 organizada em conjunto pelo MoMA e pelo Philadelphia Museum of Art, em Filadelfia. Esta exposição oferece ao público do século XXI a primeira oportunidade de conhecer a amplitude da produção criativa do artista. A mostra apresenta obras de todas as fases da carreira multifacetada de Duchamp, ao longo de seis décadas, abrangendo todas as técnicas, incluindo pintura, escultura, cinema, fotografia, desenho e material impresso.

Este evento dedicado a Marcel Duchamp foi organizado pelo Museum of Modern Art (MOMA) de Nova Iorque e pelo Philadelphia Museum of Art, com a colaboração do Centre Pompidou, Paris. A exposição tem a curadoria de Ann Temkin, Marie-Josée e Henry Kravis Curadora Chefe da Pintura e Escultura do MoMA; Michelle Kuo, Curador Chefe e Editor do MoMA; e Matthew Affron, Muriel e Philip Berman Curador do Modern Art e do Philadelphia Museum of Art; com Alexandra “Lo” Drexelius, assistente de curadoria do Departamento de Pintura e Escultura do MoMA; Helena Klevorn, assistente de curadoria do Departamento do Curador Chefe do MoMA; Danielle Cooke, assistente da exposição do Philadelphia Museum of Art; e Julia Vázquez, bolseira de pós-doutoramento de Andrew W. Mellon no Philadelphia Museum of Art.

“As obras de arte contemporâneas levam frequentemente os espectadores a perguntar: ‘Por que razão isto é arte?’ É praticamente impossível responder a esta pergunta sem fazer referência ao trabalho de Duchamp”, afirmou Temkin. “Mais do que qualquer outro artista moderno, Duchamp desafiou e transformou a própria definição de uma obra de arte.” Kuo acrescentou: “A influência de Duchamp é incalculável e os seus inúmeros contributos fizeram dele uma das figuras mais importantes da cultura moderna. A exposição destaca as formas como Duchamp subverteu oposições convencionais entre mão e máquina, original e cópia, intenção e acaso, e matéria e ideia.”

O MoMA e o Philadelphia Museum of Art (PMA) têm uma longa história de ligação ao trabalho de Duchamp. O MoMA foi o primeiro museu a adquirir uma obra de Duchamp, além de ter incluído o seu trabalho em exposições pioneiras como “Fantastic Art, Dada, Surrealism” (1936) e “The Art of Assemblage” (1961). O PMA é o maior repositório da sua obra, sendo a casa da Colecção Louise e Walter Arensberg e o local permanente de duas obras monumentais: “The Large Glass” (1915–23) e “Étant donnés” (1946–66). Marcel Duchamp desenvolveu este legado e apresentá-lo sob uma nova perspectiva.

A evolução radical da carreira do artista entre 1900 e 1968, está relacionada com cada galeria a destacar uma fase distinta da sua obra. Organizada cronologicamente, a exposição tem início com uma selecção de desenhos e caricaturas iniciais de Duchamp, assim como pinturas apresentadas nos salões franceses, culminando na sua lendária obra-prima cubista “Nu Descendo uma Escada” (N.º 2) (1912), que foi exibida pela última vez no MoMA em 1974.

Outra secção fundamental da exposição aborda a invenção do “readymade” por Duchamp enquanto forma de escultura, que o artista descreveu em 1961 como “a ideia individual mais importante a surgir do meu trabalho”. Embora vários dos “readymades” originais se tenham perdido, como a sua controversa obra “Fonte” (1917), a exposição reune aqueles que ainda existem. Duchamp desenvolveu os seus “readymades” em paralelo com a preparação da sua monumental pintura sobre vidro, “A Noiva Despida pelos Seus Celibatários, Mesmo” (O Grande Vidro) (1915–23), que libertou a pintura enquanto meio, afastando-a tanto da tela como da parede. A exposição proporciona uma rara oportunidade para o público conhecer toda a diversidade de materiais e abordagens que Duchamp utilizou no planeamento rigoroso e na execução de “O Grande Vidro”.

A secção seguinte é dedicada à participação transatlântica de Duchamp no movimento Dada de Nova Iorque e Paris durante a década de 1920. Esta parte da exposição apresenta uma das imagens mais conhecidas do século XX: “L.H.O.O.Q.” (1919), a irreverente intervenção de Duchamp sobre uma reprodução em formato postal da “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci, na qual desenhou um bigode e uma barba em torno do sorriso enigmático do retrato. São também incluídas as suas experiências com dispositivos ópticos motorizados e com o cinema, como o filme radical “Anémic Cinéma” (1926), assim como as aparições e realizações da sua alter ego feminina, “Rrose Sélavy”.

A galeria central da exposição será dedicada ao “museu portátil” de Duchamp, a “Caixa numa Mala” (Boîte-en-valise) (1935–41), através da qual o artista reproduziu minuciosamente, em miniatura, a sua obra produzida até esse momento. Esta é a apresentação mais abrangente de “Caixa numa Mala” realizada até à data; exemplares de luxo das décadas de 1940, assim como edições posteriores, são apresentados juntamente com materiais preparatórios nunca antes exibidos.

Na exposição, alguns objectos apresentam cópias de obras de arte autorizadas por Duchamp. Esta abordagem estava em sintonia com o fascínio que o artista demonstrou ao longo da sua carreira pela reprodução — esbatendo as distinções entre original e cópia — e com as suas perspectivas radicais sobre a autoria. A mostra apresenta uma variedade de réplicas e múltiplos de “readymades” produzidos em colaboração com Katherine S. Dreier, Sidney Janis, Ulf Linde, Arturo Schwarz e Richard Hamilton.

Duchamp continuou a inovar até ao final da sua carreira, sobretudo através da preparação secreta, ao longo de duas décadas, de um quadro “in situ” para o Philadelphia Museum of Art, “Étant donnés: 1° la chute d’eau, 2° le gaz d’éclairage . . “. (Dados: 1. A cascata, 2. O gás de iluminação . . .), (1946–66). A exposição reune estudos que contribuíram para a criação da última obra de Duchamp, instalada no Philadelphia Museum of Art, um ano após a sua morte.

A obra de Duchamp só se tornou amplamente conhecida no último terço da sua carreira; a ampla distribuição da “Boîte-en-valise” (Caixa numa Mala) apresentou a diversidade da sua produção a novos públicos. As últimas duas décadas da carreira de Duchamp foram marcadas pelo crescimento do seu reconhecimento internacional e definidas por grandes exposições, incluindo a sua primeira retrospetiva no Pasadena Art Museum, em 1963.

Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

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