Cezanne e Nós I No Grand Palais, Paris

A exposição agora patente no Gran Palais de 23 de Setembro a  17 de Janeiro de 2027  foi coproduzida pelo Grand Palais, pelo Centro Pompidou e pela Instituição Pública do Museu de Orsay e do Museu da Orangerie – Valéry Giscard d’Estaing.

Esta mostra, inédita, proporciona um diálogo rico e constante entre a obra de Paul Cézanne (1839-1906) e as obras de artistas que, desde o final do século XIX até aos dias de hoje, têm encontrado constantemente na sua obra a liberdade para reinventar a pintura. Estão aqui apresentadas cerca de 180 obras: 70 de Cézanne e 75 de outros artistas.

Assim, ela traça a história de uma posteridade sem paralelo, que se desenrola simultaneamente num jogo de influências e de reivindicação de um mestre comum, a começar pelos seus primeiros adeptos: nos anos 1880-1890, numa época em que Cézanne, cansado dos fracassos, já não procurava expor, alguns pintores descobriram, com espanto, a sua obra na loja do pai Tanguy. A sua radicalidade formal reforçou-os na sua busca por uma arte «pura», já encaminhada para a abstracção.

A exposição aborda, em seguida, os momentos-chave do reconhecimento do artista, começando por destacar a importância do negociante Ambroise Vollard, da sua imensa colecção e das primeiras mostras que dedicou ao artista entre 1895 e 1906. As primeiras aquisições por parte de museus, a exposição póstuma no Salon d’Automne de 1907 e os grandes eventos internacionais da década de 1910 são igualmente abordadas.

Estes acontecimentos contribuíram para o sucesso crítico e comercial do artista e consagraram-no como um dos precursores da modernidade. A exposição mostra a pluralidade das interpretações da obra de Cézanne no seio das vanguardas europeias e internacionais da década de 1910, que todas questionaram a relação da obra com a realidade e reflectiram, a par de Cézanne, sobre o facto de que “a arte é uma harmonia paralela à natureza”.

Esta interpretação diversificada, presente desde o início, constitui o fio condutor da exposição. Mostra como, a partir de Cézanne, o triunfo da arte moderna e do formalismo que lhe está associado — a redução da pintura aos seus elementos fundamentais — se revelou ultrapassado. O artista tornou-se um dos pais incontestáveis da arte moderna ocidental e continua a ser admirado no pós-guerra pelos protagonistas de um renascimento da abstracção na Europa e nos Estados Unidos, tanto pelos defensores da abstracção lírica ou óptica como pelos da pintura «hard edge». É esta história repleta de nuances, em que cada um defende o seu Cézanne tanto quanto o caminho que explora, que será apresentada. Ela questiona o que acontece com ele na era do pós-modernismo, que põe em causa a sua posição mítica.

“Cezanne e nós” é a primeira exposição a contar esta dupla história, desde a década de 1880 até aos dias de hoje. A da sua influência fundamental e a, em contracorrente, dos artistas que se reivindicaram dele e fizeram dele «o nosso pai a todos», segundo Picasso. Assim, construíram-se representações mutáveis, complexas e, por vezes, contraditórias, de um artista rejeitado pelas Belas-Artes, mas que se tornou um dos pilares da arte moderna ocidental: “Cézanne e Nós”, portanto: o “Nós” dos artistas e Nós, que observamos, com o nosso olhar contemporâneo, Cézanne através deles.

Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *