Paolo Roversi I O Fotógrafo de Moda

«Dúvidas», é a nova exposição de Paolo Roversi, recentemente inaugurada pela Fundação Marta Ortega Pérez (MOP) na Corunha, apresenta uma retrospetiva da obra do artista através de um enorme conjunto de imagens— tanto inéditas como clássicas.

A exposição centra-se na ideia de que a “dúvida” é fundamental para imaginar e criar. Através deste ideal, o artista experimenta com as Polaroids, uma nova técnica e um novo resultado criativo.

A mostra “Dúvidas” (Doubts), de Paolo Roversi, estará patente até 20 de Setembro de 2026, propõe uma viagem pela obra do artista, apresentando tanto imagens inéditas como peças clássicas, destacando assim a sua reconhecida carreira na fotografia de moda.

Para Roversi, «Doubts» centra-se na ideia de que são as dúvidas que dão acesso à criatividade e à imaginação, tal como a certeza, que as bloqueia. Nesta exposição, podemos observar não só as suas obras mais características, mas também a sua experimentação com o uso de máquina fotográfica Polaroid.

Através deste evento de doze fragmentos interligados por todo o MOP Center, definidos por diferentes facetas — teatro, aparências, sombras, dúvidas, pessoas, presença, graça, beleza e desaparecimento  testemunham a mestria de Roversi nesta arte.

Para além da apresentação das suas obras, o evento inclui um documentário sobre a vida de Paolo Roversi, que dá a conhecer ao público a sua visão criativa; e a venda e publicação de um livro editado pela The MOP Books e com design da autoria da M/M (Paris).

Por mais de quatro décadas, o fotógrafo de moda italiano Paolo Roversi construiu uma linguagem visual singular. Fotografando com uma máquina fotográfica Polaroid 8×10, ele cria imagens oníricas, com uma luminosidade surreal que atrai o olhar tanto para a roupa quanto para a modelo. As fotografias resultantes transportam a moda para um reino de outro mundo.

No início dos anos 1970 Paolo mudou-se para Paris e permaneceu lá desde então, criando campanhas para algumas das maiores marcas e designers de moda do mundo. Durante o seu processo experimental, Paolo incorpora tinta a óleo e tecidos directamente na superfície da imagem, ou move uma lanterna de mão durante uma longa exposição, guiando o olhar do espectador para aquilo que ele mais deseja iluminar.

A mostra, intitulada “Doubts# (Dúvidas), dedicada a Roversi, reune obras-primas memoráveis e imagens anteriormente inéditas que passaram anos, como ele diz, “a dormir em caixas”. Para Roversi, a dúvida é a porta aberta para a criatividade e a imaginação. 

O espaço da exposição foi transformado em nove secções interligadas — Teatro, Aparições, Sombras, Dúvidas, Pessoas, Presença, Graça, Beleza e Desvanecimento — cada uma expressando uma faceta diferente da sua estética e, juntas, ilustrando tanto a amplitude do seu domínio técnico como a consistência da sua visão.

Paolo Roversi: O Sentimento da Luz

Paolo Roversi é um grande fotógrafo de moda, talvez o maior. Natural de Ravenna, na Itália, cidade que desde o início moldou a sua forma de fotografar e trabalhar com a luz, justamente a sensação da luz.
Tendo instalado em Paris onde trabalha há mais de trinta anos, Roversi tem sido protagonista de todas as mais prestigiadas campanhas fotográficas de moda, fotografou e lançou as top models mais importantes e icónicas do mundo como Naomi Campbell e Kate Moss.

Uma fotografia de Paolo Roversi é imediatamente reconhecível: um foco suave e difuso, uma rica interação entre sombra, cor e luz, e um ambiente romântico, pictórico e em tons sépia. Por vezes, parecem uma relíquia do passado — como um ambrótipo vitoriano enevoado (O ambrótipo é um processo fotográfico antigo do século XIX que cria uma imagem positiva única sobre uma placa de vidro), desenterrado de um sótão; outras vezes, são contemporâneas, captando as formas estranhas e sobrenaturais de designers de vanguarda como Rei Kawakubo (o seu trabalho com ela foi tema de uma exposição individual nos EUA em 2021) e Yohji Yamamoto, com quem Roversi mantém uma longa comunhão artística.

Quanto à razão pela qual as suas colaborações com designers, em particular, foram tão bem-sucedidas — desde Kawakubo e Yamamoto até Romeo Gigli e Azzedine Alaïa —, Sylvie Lécallier, curadora da exposição sobre a obra de Roversi, que abriu em 2024 no Palais Galiera, em Paris, atribuiu esse sucesso ao bom gosto de Roversi. “O Paolo tem um verdadeiro gosto por roupas bonitas, assim como um grande respeito pelos designers que possuem um universo criativo muito forte”, afirmou ela. A sua fotografia favorita na exposição não é de um tema específico, mas sim de um par de sapatos, reflectidos num espelho.

“A modelo está ausente, foi retocar a maquilhagem. Vai voltar a qualquer momento. Esta imagem fala do momento da sessão fotográfica, mas também do teatro das aparências, da realidade e da ilusão”, afirmou Sylvie. “Leva-nos para o outro lado do espelho.”

“A fotografia de Paolo é intemporal”, disse Sylvie Lécallier, “Está desligada do espírito da época, das tendências efémeras da moda. Situa-se simultaneamente no coração da moda e à margem dela. É isso que faz dele um fotógrafo único.”

Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

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