Roy Lichtenstein I Bons Sonhos

O Museu Kunstmuseum, na Basileia apresenta até 14 de Março de 2027, cerca de cinquenta obras de arte gráfica provenientes de todos os períodos criativos de Roy Lichtenstein (1923–1997), uma das lendas da Pop Art. Muitas delas são exibidas pela primeira vez. A exposição insere-se no âmbito da doação da Fundação Roy Lichtenstein, cujas obras, estão reunidas  no Gabinete de Artes Gráficas (Kupferstichkabinett) do Kunstmuseum, as quais fazem desta reunião, uma das mais importantes colecções de Lichtenstein fora dos Estados Unidos.

“Roy Lichtenstein. Bons Sonhos”, oferece uma visão impressionante do universo colorido e exuberante de Roy Lichtenstein. A exposição destaca como este artista norte-americano se tornou o precursor da Pop Art (do inglês «popular», no sentido de «cultura popular») na década de 1960, graças a motivos apelativos, a um gosto pela experimentação e a um virtuosismo técnico. Com muito humor e ironia, Lichtenstein transpõe a linguagem visual dos bens de consumo, dos folhetos publicitários e das montras para as artes visuais. Adopta, em particular, a estética da banda desenhada: o aumento de detalhes (close-ups), as cores luminosas e os pontos de trama (Ben-Day dots) tornam-se a sua marca registada.

A cena artística nova-iorquina ficou, num primeiro momento, consternada com a Pop Art, vista como algo banal. Ao mesmo tempo, o universo visual familiar desta nova forma de expressão artística agradou a um vasto público. A gravura desempenha um papel essencial devido à sua reprodutibilidade: as primeiras gravuras de Lichtenstein, com uma estética de banda desenhada, são cartazes e convites para as suas exposições na galeria de Leo Castelli, em Nova Iorque. Acessíveis e impressas em grande número, contribuem significativamente para dar a conhecer o artista.

O interesse de Lichtenstein pelas artes gráficas remonta ao período dos seus estudos. A exposição apresenta seis exemplos do final da década de 1940 e do início da década de 1950, que ilustram a forma como ele já experimentava activamente diferentes técnicas de impressão naquela época. A partir do final da década de 1960, trabalhou com oficinas de impressão de renome, como a Gemini Graphic Editions Limited, em Los Angeles, a Tyler Graphics, em Bedford, Nova Iorque, e a Graphicstudio, na Universidade do Sul da Flórida, em Tampa. Em estreita colaboração com estes estúdios, criou folhas e séries de uma habilidade técnica excepcional. Assim, «Portrait» (1989), por exemplo, é o resultado de um processo de impressão em 18 etapas. A combinação de quatro técnicas diferentes — litografia, xilogravura, serigrafia e impressão a cera, desenvolvida especialmente para este projecto pelo Graphicstudio — produz efeitos de superfície extremamente variados, que vão desde zonas mate a motivos que se assemelham a pinceladas fluidas, passando por espaços brilhantes e irizados.

Ao longo de quase cinco décadas, Lichtenstein criou mais de 350 serigrafias, gravuras a água-forte, litografias, assim como xilogravuras e linogravuras. Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 2023, a Fundação Roy Lichtenstein doou um total de cerca de cem gravuras à Albertina, em Viena, ao British Museum, em Londres, e ao Kunstmuseum Basel, criando assim três colecções de referência na Europa. O Kunstmuseum Basel recebeu 33 obras que reflectem toda a diversidade da obra gráfica de Lichtenstein. Entre estas encontram-se também pratos de cartão impressos (Paper Plates, 1969), uma reinterpretação do «Semeador» de Vincent van Gogh (The Sower, 1985), assim como o papel de parede monumental «Wallpaper with Blue Floor Interior» (1992).

A Fundação Roy Lichtenstein foi fundada em 1998, em Nova Iorque, pela sua viúva, Dorothy Lichtenstein (1939–2024). O seu objectivo é tornar acessível a obra do artista. Para tal, elaborou um catálogo raisonné online que é continuamente actualizado.

A exposição “Roy Lichtenstein, Bons Sonhos” apresenta pela primeira vez esta doação ao público. É complementada por outras obras gráficas do artista, cujas primeiras peças integraram a colecção do Gabinete de Artes Gráficas do Kunstmuseum já na década de 1960. A estas juntam-se uma concessão proveniente de uma colecção privada (Entablature VI, 1976) e as pinturas «Hopeless» (1963) e «Mirror #2» (1970), ambas em empréstimo permanente ao Kunstmuseum.

​Theresa Bêco de Lobo

Theresa Bêco de Lobo

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