Fernando Curado de Matos I Justa homenagem na Magestil

Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam memórias. Outras deixam uma marca tão profunda que, mesmo depois de partirem, continuam presentes através da sua obra, dos seus ensinamentos e, sobretudo, da amizade que souberam construir.

Fernando Curado Matos foi uma dessas pessoas.

Um grande fotógrafo, um profissional de enorme talento e sensibilidade, um professor dedicado e, para mim, acima de tudo, um grande amigo.

A fotografia foi muito mais do que a sua profissão. Foi uma paixão, uma forma de expressão e uma maneira muito própria de olhar o mundo, de descobrir a beleza dos instantes e de eternizar emoções.

Ao longo da sua carreira, construiu uma importante obra fotográfica de autor, expressa em vários livros publicados, com especial destaque para o desporto e o teatro. Dois universos aparentemente distintos, mas onde o seu olhar soube encontrar aquilo que verdadeiramente os aproxima: o movimento, a emoção, a intensidade, a expressão humana e a magia do instante irrepetível.

Fernando Curado Matos não se limitava a fotografar aquilo que via. Tinha a rara capacidade de captar aquilo que sentia. E é precisamente essa sensibilidade que distingue um fotógrafo de um verdadeiro autor.

Mas o seu legado vai muito além das imagens que nos deixou.

Na Escola de Ensino Profissional Magestil, onde foi professor de fotografia, partilhou generosamente o seu conhecimento, a sua experiência e a sua paixão, contribuindo para a formação de sucessivas gerações de jovens.

Foi também o principal criador e impulsionador do estúdio de fotografia daquela instituição, um espaço que nasceu da sua visão, do seu empenho e da sua dedicação ao ensino.

Sexta-feira dia 9, a Magestil prestou-lhe uma justa e merecida homenagem, atribuindo o nome de Fernando Curado Matos a esse mesmo laboratório.

Um gesto carregado de simbolismo, de reconhecimento e, sobretudo, de memória.

Não poderia haver homenagem mais significativa do que perpetuar o seu nome precisamente no espaço que ajudou a criar, onde ensinou, trabalhou e transmitiu a tantos jovens a paixão pela fotografia.

A partir de agora, cada aluno que ali entrar encontrará não apenas um espaço de aprendizagem e criação, mas também a memória de um homem que acreditou na importância da arte, do conhecimento e da sua transmissão às novas gerações.

Para mim, esta homenagem tem um significado particularmente especial, para além do fotógrafo, do artista e do professor, tive o privilégio de conhecer o Fernando enquanto pessoa e de partilhar a sua amizade.

E quando parte um amigo, ficam as recordações, as conversas, os momentos vividos e tantas coisas que gostaríamos ainda de ter partilhado.

A fotografia tem essa extraordinária capacidade de desafiar o tempo, de guardar instantes e de manter vivas emoções que julgávamos perdidas.

Talvez por isso exista uma beleza tão especial no legado de Fernando Curado Matos.

Partiu o homem, mas ficou o seu olhar.

Ficaram as suas fotografias, os seus livros, os seus ensinamentos e a marca humana que deixou em todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.

À Magestil, o meu reconhecimento por esta bonita e merecida homenagem, que faz justiça à sua memória e à importância do seu contributo para a instituição.

E a ti, Fernando, meu querido amigo, onde quer que estejas, quero deixar uma palavra de profunda admiração, gratidão e saudade.

A tua obra continuará a falar por ti. O teu nome continuará a inspirar novos olhares. E a tua memória permanecerá viva em todos nós.

Porque há fotógrafos que registam a história. E há outros que, pela sua obra e pela sua dimensão humana, passam a fazer parte dela.

Fernando Curado Matos pertence, sem dúvida, a estes últimos.

Até sempre, meu grande Amigo.

José LuísTeixeira

José Luís Teixeira

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